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19 de maio de 2022

A vez do S de social

CIEDS articula redes de prosperidade

Por Cláudia Mendonça

Agora é a vez do Social, um dos tripés da agenda ESG, afirma o presidente do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS), Vandré Brilhante.  Segundo ele, as empresas precisam prestar mais atenção aos riscos sociais, que vão da discriminação ao assédio, incluindo menosprezar o papel das mulheres e de minorias numa empresa. A educação, conectada à falta de mão de obra qualificada, também deveria estar no centro da estratégia dos negócios.

Olhar para o social e ajudar empresas e instituições públicas a criar redes para a prosperidade de pessoas e comunidades é o trabalho realizado pelo CIEDS (https://www.cieds.org.br/) há 24 anos, a segunda maior Organização Não Governamental (ONG) do Brasil e 54ª do mundo, segundo o ranking mundial Top 500 NGOs 2021. Reconhecida como uma das melhores instituições sem fins lucrativos do país, atua junto a cerca de 690 parceiros para o desenvolvimento de projetos sociais em todo o Brasil.

O foco do CIEDS é o fortalecimento da educação pública, democratização da cultura, empreendedorismo juvenil, desenvolvimento comunitário e implementação de políticas públicas socioassistenciais. Desde o seu surgimento, a ONG já beneficiou diretamente cerca de 2,2 milhões de pessoas, quase 4 mil comunidades.

Para Brilhante, a agenda ESG é um instrumento fundamental para um mundo mais sustentável e integrado, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). “A sociedade passou a adotar uma ética mais intergeracional, questionando as implicações futuras das ações atuais. Nas últimas duas décadas, a questão do meio ambiente prevaleceu nas discussões, especialmente em função dos estudos sobre os impactos das mudanças climáticas. A governança também ganhou peso, principalmente após escândalos de corrupção em grandes companhias. Agora é a vez do social”, completa.

Na visão de Brilhante, a desigualdade é um risco e as empresas devem considerar contribuir para reduzi-la, investindo não só onde é mais seguro e desenvolvido. É preciso apoiar também os países do terceiro mundo, que têm um ambiente de corrupção, instabilidade política, democracia frágil e instituições não consolidadas. A incorporação de conceitos ESG pelas empresas pode ajudar a criar um mundo mais equitativo.

Outro risco é o do modismo, ou seja, as empresas adotarem um comportamento superficial só para dizer que estão enquadradas ao ESG. “É o caso de corporações que têm uma roupagem ecológica, mas que continuam poluindo. Maquiar sua comunicação e continuar operando da mesma forma não adianta nada”, diz ele.

Na avaliação de Brilhante, a lógica ESG atende à demanda do cidadão por mais controle social. Os consumidores acompanham mais as ações das empresas, escolhendo produtos e serviços ou denunciando pelas redes sociais, dependendo da avaliação que fazem, diz ele.

Para a diretora de Novos Negócios e Inovação do CIEDS, Rosane Santiago, falar em ESG é ter um olhar integral sobre o indivíduo e a comunidade. “Trabalhamos por um mundo mais equitativo, democrático, sustentável e com maiores e melhores oportunidades sociais e econômicas para todos”, afirma a mestranda em Gestão de Políticas Públicas.

O CIEDS tem uma agenda ampla para atender à sua missão. O projeto “Coletivo Aprendiz” oferece aprendizagem, estágio e inclusão produtiva a jovens de baixa renda, construindo competências técnicas. A Compartir reúne organizações sociais de base comunitária na busca de soluções para problemas sociais complexos. Já a iniciativa “Pessoas e Negócios Saudáveis” promove geração de renda para micro e pequenos empreendedores, bem como alimentação para pessoas em situação de vulnerabilidade social.  

Engaja, Shell Iniciativa Jovem, CBVE – Conselho Brasileiro de Voluntariado Empresarial, Balcão de Ideias e Aula Digital, estão entre os 58 projetos em andamento na instituição, integralmente tocados pelo CIEDS ou com a sua participação.

Geração de valor

O Relatório de Impacto de 2021 do CIEDS foi lançado no último dia 16 de maio. Os 1,8 mil colaboradores da ONG foram os primeiros a ter acesso ao material, seguidos de parceiros ativos na construção das ações, numa estratégia de valorização dos públicos de interesse (stakeholders), que inclui também foco em diversidade e inclusão.

Segundo Brilhante, 88% dos colaboradores se declaram muito satisfeitos ou satisfeitos em trabalhar no CIEDS, e 96% dizem se identificar ou se identificar muito com a missão institucional, em pesquisa de Clima Organizacional (2020). “Celebramos essa conquista, mas entendemos que esse tipo de métrica está longe de ser suficiente. No início de 2021, nossa estrutura já era conformada, intencionalmente, por 66% de mulheres cis e trans; 38 % das mulheres em cargos de chefia, sendo 14% delas negras”, declara.

Trajetória reconhecida

O CIEDS está entre as 100 melhores organizações brasileiras do terceiro setor, segundo o Prêmio Melhores ONGs de 2021, que reconhece o trabalho das instituições não-governamentais no Brasil e boas práticas em quesitos como governança, transparência, comunicação e financiamento. Também recebeu o Prêmio Ser Humano 2021, da ABRH-RJ, na categoria Melhor Organização Pública ou Organização do Terceiro Setor, com a iniciativa institucional Jornada Prosperidade 360º, um programa de desenvolvimento institucional que se desdobrou em planos de melhoria envolvendo toda a instituição. O conjunto de metodologias, práticas e ações de inovação institucional e transformação digital tem o objetivo de tornar a instituição mais ágil, colaborativa e conectada aos desafios da sociedade.

Desde 2013, o CIEDS faz parte da lista de Consultores Especiais do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC/ONU), participando de programas, fundos, agências, reuniões e conferências. A instituição é signatária do Pacto Global, atuando em linha com a Agenda 2030, comprometida com ações voltadas ao alcance de quatro ODS da ONU: 1 – Erradicação da Pobreza, 3 – Saúde e Bem-Estar, 4 – Educação de Qualidade e 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico.

O CIEDS participa de instâncias colegiadas consideradas relevantes no cenário de impacto social, visando o diálogo, a análise de dados, e evidências que possam melhor apoiar o debate e produção de proposições e ações concretas mediante os desafios globais.  Entre elas está o Grupo Consultivo da Sociedade Civil (ConSOCs) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), onde atua para o fortalecimento do Terceiro Setor na América Latina, especialmente no Brasil.