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12 de novembro de 2021

Always, Cantão e Inciclo investem em ações para combater a pobreza menstrual

No Brasil, uma em cada quatro meninas deixam de ir à escola durante a menstruação

Por Carla Duarte e Karen Garcia

No Brasil, 30% da população brasileira menstrua. São cerca de 60 milhões de mulheres nessa condição, de acordo com dados da plataforma Livre Para Menstruar. As mulheres das classes mais pobres precisam trabalhar até quatro anos, apenas para custear os absorventes que usarão ao longo da vida, segundo o levantamento da iniciativa. A falta de infraestrutura nas escolas, as precariedades no sistema de saneamento básico e as questões financeiras são fatores que contribuem para a pobreza menstrual no país. Para mitigar os efeitos dessa triste realidade, empresas como Always, Cantão e Inciclo investem em ações para melhorar as condições de saúde e higiene de mulheres e meninas.

Em outubro, Jair Bolsonaro vetou a lei que institui o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual (14.214/21) e previa a distribuição gratuita de absorventes para mulheres em situação de rua, em vulnerabilidade extrema e para estudantes de baixa renda. O Congresso ainda pode decidir se mantém ou derruba o veto presidencial. Apesar do assunto ter ganhado repercussão nas redes sociais e noticiários, a proposta está há mais de um mês sem atualização no órgão. Ao menos o setor corporativo tem feito sua parte.

O impacto na educação

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que, globalmente, uma em cada 10 meninas falte à escola durante a menstruação. No Brasil esse índice sobe para 25%, devido à ausência de condições para compra de absorventes, segundo apontam os levantamentos da iniciativa Livre Para Menstruar. Além disso, as condições dos banheiros das escolas também estão entre os motivos da evasão escolar durante o ciclo menstrual.

Iniciativas ainda pontuais vêm tentando ir ao encontro dessa dura realidade. A Inciclo, empresa que produz coletores menstruais, adotou uma ação de responsabilidade social na temática da segurança menstrual, em parceria com a Cantão e o grupo Mulheres do Brasil, liderado pela empresária Luiza Trajano.

A cada venda realizada nas lojas físicas ou virtuais da marca de moda foi realizada a doação de um kit com três absorventes laváveis para o projeto Absorvendo Amor, que encaminha os produtos para estudantes das escolas públicas do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Inovação: alternativas mais sustentáveis e econômicas

A Inciclo, fundada pela obstetriz Mariana Betioli, trabalha com a premissa de levar mais conforto e saúde para a vida das mulheres que menstruam. Dessa forma, desenvolvem produtos como coletores menstruais, calcinhas e absorventes reutilizáveis, que promovem o consumo consciente na rotina das mulheres.

“Substituir absorventes descartáveis pelo famoso “copinho” é bom para o planeta, para a saúde e também para o bolso do público feminino. Além de ser prático, seguro e ecologicamente correto, o produto é mais econômico para o período menstrual das mulheres em relação às opções tradicionais. É um motivo e tanto para começar a utilizá-lo, principalmente no contexto de crise brasileira que nos leva a cortar gastos e avaliar escolhas que sejam financeiramente vantajosas para o nosso bolso”, contextualiza Betioli.

Atualmente, a marca apoia iniciativas que atuam no combate à pobreza menstrual e possuem uma doação anual recorrente de 15 mil coletores menstruais para os jovens aprendizes em situação socioeconômica desfavorável em parceria com a ESPRO. 

“Sempre com a doação do produto associado a uma trilha de conhecimento, seja sobre anatomia, cuidados íntimos, sexualidade, higiene, tabus, entre outros assuntos relacionados”, informa a Inciclo através de sua assessoria. 

Em outubro deste ano a empresa abriu a primeira loja física de coletores menstruais no país, no Morumbi Shopping. A inauguração busca complementar o modelo de negócio digital da marca, que cresceu 156% em 2020, aproximando ainda mais as mulheres do cuidado íntimo e incentivar o autoconhecimento. Para Betioli, a loja é também um passo para reduzir o estigma colocado na menstruação.

Falar sobre menstruação é tabu no país 

Uma entre cada quatro jovens não se sente confortável em falar sobre a menstruação, de acordo com levantamento da Always, marca da P&G de cuidado íntimo feminino. O dado evidencia como o tema ainda é um tabu no país. A pesquisa, realizada em parceria com a Toluna, também aponta que a primeira menstruação deixou 57% das mulheres respondentes menos confiantes.

Investir em informação foi a primeira ação da multinacional, explica Laura Vicentini, vice-presidente de marketing de cuidados femininos da P&G Brasil, e complementa que trazer visibilidade para o tema é um passo importante para o enfrentamento dessa problemática.

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“Como parte da solução, precisamos trazer à tona o problema e juntos tentarmos dar um fim a ele. O acesso a itens básicos de higiene durante a menstruação não precisa ser uma das muitas barreiras que meninas têm que superar ao longo da sua vida”, aponta Vicentini.

A executiva reconhece que a pobreza menstrual impacta a vida de muitas mulheres no mundo todo, mas os efeitos negativos são mais intensos em grupos com menor poder aquisitivo.

Para a antropóloga e pesquisadora Mirian Goldenberg, o fato das mulheres não se sentirem confortáveis para conversar sobre a menstruação é notável.

“Elas não se sentem confortáveis em falar sobre o assunto nem mesmo com pessoas próximas e ainda se sentem culpadas e inseguras com um fenômeno natural do corpo feminino, que é a menstruação”, considera. Para Goldenberg, quando essas mulheres perceberem que não estão sozinhas, conseguirão enfrentar juntas o problema.