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14 de maio de 2021

Amazônia: Programa com foco em desenvolvimento sustentável beneficia milhares de pessoas

Biodiversidade, cadeias de valor sustentáveis, educação e tecnologia acessível. Esses são os principais eixos de atuação do Programa Território Médio Juruá, que proporcionou melhorias socioeconômicas para mais de 2,5 mil pessoas e a preservação de um milhão de hectares na Amazônia. A iniciativa é uma colaboração intersetorial com apoio financeiro da Natura, Coca-Cola e Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), com coordenação da SITAWI Finanças do Bem, implementação de associações locais e parceria com órgãos governamentais.  

Ao longo de três anos, foram destinados R$ 16,8 milhões para o projeto que teve entre os seus objetivos o manejo sustentável do pirarucu, a conservação de quelônios, melhoraria da qualidade de fornecimento de energia nas comunidades e ampliação da oferta de educação básica e investimento em estudos com foco nos impactos das mudanças climáticas na região. Esses e outros resultados estão em relatório do projeto lançado na última semana

“A Natura apostou em uma nova economia pautada no fortalecimento e valorização de povos e comunidades tradicionais e na bioeconomia de florestas ao longo dos últimos 20 anos com o seu modelo de atuação na Amazônia, sendo marcos importantes o nosso relacionamento no Território Médio Juruá e o modelo de coletivos territoriais voltado ao desenvolvimento territorial”, analisa Priscila Matta, gerente de sustentabilidade da Natura.

Modelo participativo 

A construção dessa rede, no entanto, se iniciou há mais tempo. O território amazônico faz parte da pauta de sustentabilidade da Coca-Cola e Natura por ser uma das principais fontes de insumos para a fabricação de seus produtos. Há um entendimento que a Amazônia em pé gera mais riqueza do que o uso irrestrito dos recursos. 

Dessa forma, em 2014, as companhias se juntaram a diversas associações, órgãos governamentais de proteção ambiental e lideranças de diversas comunidades ribeirinhas do Médio Juruá em um processo integrado para a criação de um plano de desenvolvimento territorial, com base em um diagnóstico participativo somado a resultados do Índice de Progresso Social − IPS Comunidade.

“O processo de desenvolvimento territorial do Médio Juruá desenha uma trajetória rica em trabalhos coletivos, mas sobretudo em aprendizados para as diversas instituições comprometidas com o impacto social das comunidades ribeirinhas”, afirma Luiz André Soares, executivo que atuou como gerente de sustentabilidade da Coca-Cola.

O IPS permite que empresas, moradores, organizações locais e governos se unam para investir, de fato, no que é prioritário a um determinado território, cidade ou país, a fim de que todos possam ter mais bem-estar, usar o seu pleno potencial e construir uma sociedade mais justa, igualitária e sustentável. Inicialmente proposto para a escala global. 

Cooperação para gerar impacto social positivo 

Em um ambiente diverso e vasto como a Amazônia, a cooperação foi peça-chave para o sucesso da iniciativa. Com um modelo inovador, o programa contou com uma contrapartida financeira da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) junto com as empresas que atuam na região e a coordenação programática e orçamentária da SITAWI Finanças do Bem − organização social com ampla expertise em gestão de recursos com foco em impacto social. 

Com muitas demandas específicas, o programa foi estruturado em rede para atuar em diversos pontos sensíveis, como a melhoria da qualidade de fornecimento de energia elétrica nas comunidades, priorizando fontes renováveis, por exemplo.

“A Amazônia é um tesouro natural que precisa de atenção, sendo palco de discussões estratégicas no âmbito mundial. Ao adentrar em sua densa natureza, encontramos a riqueza cultural de seus povos e seus desafios. Nesse contexto, trazemos um olhar mais profundo para o Médio Juruá”, reflete Leonardo Letelier, CEO da SITAWI, que acrescenta: 

“O programa se desenvolve e se fortalece através do Fórum Território Médio Juruá, uma forte e coesa instância de governança local formada por uma rede de instituições. Consideramos a construção de uma relação de confiança mútua entre financiadores, implementadores, gestores e principalmente a população local, para que os resultados sejam satisfatórios para todos”.

Acesso à energia elétrica 

A maior parte da região do Médio Juruá não tinha conexão com a rede elétrica de Carauari (apenas 5 comunidades) e a maioria das comunidades tinham somente cerca de 3 horas de energia por dia, fornecida por um gerador, com um alto custo de manutenção e logística. 

A falta ou dificuldade de acesso à energia elétrica gera impactos para saúde, segurança, além da ameaça à biodiversidade local com derramamentos ou descartes inadequados devido aos combustíveis dos geradores. 

Nesse cenário, pesquisas e estudos foram realizados para chegar à solução de baixo custo para o fornecimento de energia renovável às comunidades do Médio Juruá. Em parceria com a organização Litro de Luz, foram realizadas capacitações e instalação de sistemas pilotos, reduzindo o uso do gerador a diesel em cerca de 30%

“Antes a gente andava com lanterna dentro de casa, depois que o motor de luz era desligado, ou quando não tinha energia na comunidade; agora a gente não precisa mais. A nossa comunidade fica mais bonita com essa iluminação, de longe a gente vê a comunidade iluminada”, relata Sebastião Rodrigues, morador da comunidade Santo Antônio do Brito. 

Manejo sustentável do pirarucu 

O pirarucu é o maior peixe de escamas da Amazônia e um dos maiores peixes de água doce do mundo. Sua pesca predatória reduziu os estoques, foi proibida e só é autorizada em projetos de manejo sustentável garantindo sua conservação. Além disso, gera renda para as comunidades das unidades de conservação, se tornando uma das principais atividades econômicas da região.

Junto com a Associação dos Produtores Rurais de Carauari, o programa envolveu 28 comunidades na preservação dos ambientes aquáticos e exploração sustentável do animal. Durante os três anos do projeto, houve uma expansão de novos mercados no Rio de Janeiro e São Paulo com preço justo para os moradores, totalizando 262 toneladas de pirarucu pescados. 

Por sua importância ecológica e forte governança local, o Médio Juruá recebeu o título de Sítio Ramsar, reconhecimento internacional que reforça a recomendação para que as medidas de proteção existentes sejam reforçadas e ampliadas.

Melhorias nos sistemas de tecnologia e comunicação 

O Médio Juruá está localizado no sudoeste do estado do Amazonas, uma área contínua de floresta tropical conservada. O território se encontra no município de Carauari, área central, a 1.676 km de Manaus por via fluvial.

Ao longo do rio, habitam populações ribeirinhas e indígenas. No Médio Juruá, encontram-se duas unidades de conservação contíguas (Reserva Extrativista do Médio Juruá e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Uacari), a Terra Indígena Deni do Rio Xeruã, além de comunidades ribeirinhas à margem do Rio Juruá.

Nesse contexto, muitas comunidades contam com o rádio como uma das principais formas de comunicação. Ampliar o acesso à informação e à comunicação nas comunidades por meio de sistemas de radiofonia foi um dos pontos levantados pelo IPS e objeto do projeto. 

Foram desenvolvidos 23 sistemas de radiofonia e instalados três pontos de internet para dar acesso às comunidades ribeirinhas aos serviços virtuais, facilitando a inclusão social e digital, beneficiando mais de 200 famílias e impactando a vida de cerca de 3 mil pessoas.