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3 de março de 2021

Companhias vinculam bônus de executivos a metas ESG e de diversidade

Por Karen Garcia

O McDonald’s Corp anunciou em fevereiro que irá vincular os bônus de executivos a novas metas de diversidade da empresa e, pela primeira vez, divulgará detalhes demográficos de sua força de trabalho.

No ano passado, o Grupo Pão de Açúcar atrelou a remuneração ao atingimento de metas de redução de carbono. Starbucks, Gerdau, Vivo e Volkswagen também se comprometeram recentemente e integram um número crescente de empresas que medem o progresso social e ambiental. Trata-se de uma tendência inexorável. 

Diversidade e ESG: termos para além da moda 

Estudo da consultoria Mercer, de 2019, aponta que 51% das empresas incluem métricas ESG (questões ambientais, sociais e de governança, que envolvem métricas de diversidade e inclusão) em seus planos de incentivos executivos ou estão considerando fazê-lo.

De acordo com recente levantamento do Chief Executives for Corporate Purpose (CECP), coalizão internacional de líderes ESG, sete em cada dez empresas já avaliam seus funcionários com base em métricas ESG.  

Esses dados demonstram que questões socioambientais, incluindo diversidade, equidade e inclusão, não são mais apenas palavras de ordem que os líderes corporativos usam por modismo.

As metas apresentadas pelas companhias refletem a pressão de seus usuários. No último ano, a procura pelo termo ESG cresceu 400% na plataforma de busca do Google, segundo informações da ferramenta Google Trends.  

Mulheres, negros, pardos e indígenas em cargos de liderança 

Seguindo esta tendência, o Mc Donald’s, uma das maiores redes de fast food do mundo, se comprometeu a aumentar o número de “grupos historicamente sub-representados” em cargos de liderança, alcançando, até 2025, 35% dessas posições. Além disso, a expectativa é que as mulheres representem 45% da alta gestão. 

Sob as novas regras, o CEO Chris Kempczinski pode perder 15% de seu bônus anual de aproximadamente US$ 2,25 milhões se não cumprir as metas de aumentar a parcela de mulheres e negros, hispânicos, asiáticos e outras minorias em cargos de liderança sênior, conforme divulgou a agência internacional Reuters

Em outubro do ano passado, a Starbucks também anunciou medidas relacionadas à diversidade. Em 2019, apenas 15% da liderança sênior da Starbucks eram pretas ou pardas. Cerca de 46% de sua força de trabalho geral se identifica como uma minoria.

A meta é alcançar 30% de negros e que indígenas sejam 30% de sua força de trabalho nos próximos quatro anos, apontou a CNBC.  

Nos Estados Unidos, após o assassinato de George Floyd, a pressão de consumidores e ativistas sobre as desigualdades no mercado de trabalho cresceu. Sob pena de boicote, as empresas ficam mais atentas a causas ambientais, sociais e de governança.  

Mudanças climáticas 

A mudança do clima e emissões de gases de efeito estufa (GEE) são temas prioritários para o Grupo Pão de Açúcar (GPA). Em 2019, o grupo foi responsável por liberar mais de 900 toneladas de GEE na atmosfera, de acordo com seu relatório de sustentabilidade.

Através da atualização de equipamentos, readequação dos pontos de venda e redução do consumo de energia, entre outras ações, a expectativa é que, até 2030, seja possível reduzir 30% dessa emissão, retornando assim, aos patamares de 2018.  

Na Volkswagen, a remuneração dos executivos inclui bônus, salário fixo e plano de incentivos de longo prazo vinculado ao desempenho do preço das ações. A automobilística é mais uma das que pressionaram seus gestores a cumprir acordos com foco na sustentabilidade.

A companhia conta com 125 fábricas em países como Brasil e China e estima que, sozinhos, seus carros respondem por 1% das emissões globais de dióxido de carbono. 

Ratings de sustentabilidade 

Segundo Biano Batista, especialista em Finanças Sustentáveis, os principais índices e ratings de sustentabilidade já vêm investigando a composição das métricas de remuneração variável, além de seus vínculos com estratégia.  

“A discussão tem ficado cada vez mais madura e o foco tem se concentrado em temas ESG materiais para o negócio e atuais para a sociedade e o planeta. Desta forma, resíduos, emissões de gases de efeito estufa, diversidade em cargos de liderança, entre outras, passaram também a compor o cardápio de possíveis temas a serem incorporados nas métricas de remuneração variável”, explica Batista em artigo para a publicação Tendências de Finanças Sustentáveis no Brasil em 2021 da SITAWI Finanças do Bem

Mudança na matriz energética 

A siderúrgica Gerdau também pretende anunciar metas de redução de suas emissões de gases de efeito estufa de médio e longo prazo. Em 2019, a companhia passou a mensurar e divulgar o inventário de emissões de gases de efeito estufa.

Transição de matriz energética faz parte da agenda ESG. Foto: Pixabay

Para reduzir a dependência de fontes não renováveis, a Gerdau firmou um contrato para construção de um parque de energia solar, afirmou o CEO Gustavo Werneck em entrevista para o Capital Reset.  

“Somos uma empresa muito eletrointensiva. A gente tem buscado alternativas de geração e fornecimento que sejam renováveis e mais limpas. Em vez de comprar energia da rede, estamos migrando fortemente para uma geração e fornecimento relacionada à solar e eólica”, comenta. 

A Vivo, do grupo Telefônica, se mobiliza para posicionar a sustentabilidade como estratégia de negócio. Em 2019, a empresa vinculou 15% do salário variável dos executivos aos indicadores de confiança dos clientes e sustentabilidade.

Em seu relatório ESG, divulgado no último mês, destaca que teve um crescimento de 16,6% em suas ações de sustentabilidade e foi reconhecida como uma das companhias mais engajadas com a pauta globalmente pelo S&P Sustainability Yearbook 2021.  

“Nossas iniciativas comprovam que queremos seguir crescendo de forma sustentável e inclusiva, melhorando cada dia mais a experiência do cliente com a Vivo e gerando impacto positivo no meio ambiente e na sociedade como um todo. Atrelar o bônus com as metas de sustentabilidade traz ainda maior comprometimento dos nossos colaboradores com a excelência na relação com todos os stakeholders”, revela o CEO da Vivo, Christian Gebara.