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Uma mulher e uma menina fazem poupança financeira juntas

18 de março de 2021

Educação financeira é a nova face da responsabilidade sociocorporativa

Por Karen Garcia

Educação financeira nas escolas. É dessa forma que a XP Investimentos pretende colaborar para a transformação do país, alcançando 50 milhões de pessoas. Além da casa de investimentos, marcas como Serasa, Órama e Oslo Investe também contam com iniciativas neste sentido. Contribuir para melhorar a capacidade do brasileiro de tomar decisões financeiras é a nova fronteira da responsabilidade sociocorporativa.  

No início de março, durante o evento Expert ESG, o ex-CEO e presidente do conselho de administração da XP, Guilherme Benchimol anunciou o lançamento do Instituto XP. O objetivo da entidade é levar ensinar crianças, adolescentes e professores a administrarem melhor o dinheiro e ajudar a construir um ambiente de aprendizado “mais tecnológico, inovador e inspirador”. O projeto será tocado em parceria com a Xpeed – plataforma de educação da XP

Guilherme Benchimol, CEO da XP Inc, fala em evento Expert ESG
Guilherme Benchimol, CEO da XP Inc, fala em evento Expert ESG

Com o foco em pessoas com pouca instrução formal e em situação de vulnerabilidade social, a iniciativa vai disseminar conteúdos gratuitos e criar um hub de ensino com linguagem acessível. Para isso, o grupo vai mobilizar R$ 20 milhões em 2021 e estruturar um programa de voluntariado corporativo para funcionários XP Inc. e agentes autônomos. 

Governança de atuação  

O Instituto XP fica sob o guarda-chuva da área ESG, liderada por Marta Pinheiro, e terá no comando da área de Impacto Social, Marcella Coelho. A organização também prevê parcerias com outras instituições para aumentar o engajamento no tema, assim como o subsidiar projetos selecionados por meio de edital anual.  

“É comprovado que uma pessoa financeiramente alfabetizada tem maior capacidade de planejar o futuro e se preparar para imprevistos. A educação viabiliza independência, maior renda, menor desigualdade e alcançar sonhos”, explica Marcella Coelho.  

Inadimplência, fonte de estresse e desigualdade 

Cerca de 62,6 milhões de brasileiros estão com o nome sujo, de acordo com levantamento do SPC, de 2018. Além disso, mais da metade da população tem o dinheiro como principal fonte de estresse, segundo pesquisa da BlackRock.

Pessoas caminham no Saara, centro de comércio popular no Rio de Janeiro
Cariocas lotam o Saara nas compras de fim de ano no Centro do Rio. Foto: Gabriel Monteiro @gabrielvisu

O Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo, segundo relatório da Oxfam de 2019. O documento aponta que a parcela dos 10% mais ricos do Brasil concentra 41,9% da renda total do país, e a parcela do 1% mais rico detém 28,3% da renda. Mudar de vida não é apenas uma virada de chave. No entanto, iniciativas de responsabilidade social com foco na educação financeira tentam apoiar uma melhor relação com os recursos a fim de promover uma melhor qualidade de vida para as pessoas.  

Plataforma completa para sair do vermelho

A educação financeira perpassa a revisão de gastos, mudanças de hábitos e limite com compras. Na foto, uma mulher sorridente segura sacolas

Uma empresa que vem mudando a forma de se relacionar com a sociedade é a Serasa. A companhia, que já teve seu nome associado à uma ideia única de cobrança, hoje incentiva o desenvolvimento de autonomia e propriedade sobre a vida financeira dos brasileiros.  

As soluções com foco no consumidor têm como objetivo negociação de dívidas, busca do crédito ideal e proteção contra fraudes. Mais recentemente, o Grupo Experian, controlador da Serasa, disponibilizou uma plataforma robusta de educação para adultos, jovens e crianças, chamada Serasa Ensina.

Além do portal, a empresa também conta com um canal no Youtube vídeos tutoriais sobre orçamento, quitação de dívidas, entre outros.  

Mudança de hábitos 

No final de 2020, a taxa de desemprego no país bateu recorde ao atingir a marca de 14,6%, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Na visão do especialista Daniel Duque, da FGV, a expectativa é que, sem o auxílio emergencial, a desocupação chegue a 15%.  

Lucas Borges, sócio fundador da Oslo Investe

Em um contexto sensível como a crise sanitária de Covid-19, é comum que as pessoas reflitam sobre comportamentos e repensem hábitos de consumo, aponta Lucas Borges, economista e sócio fundador da Oslo Investe.  

“A relação do brasileiro com o dinheiro não é boa. Quando existe um fator externo que impacta a sociedade como a pandemia, gera um cenário de muita pressão. Alguns param para pensar no uso das suas reservas financeiras, por exemplo. E quem não tinha uma reserva fica ainda mais pressionado porque vê o dinheiro acabando. Isso influencia tanto as classes mais baixas, no contexto de escassez, temendo o emprego que dependem muito da mobilidade. E, em um cenário de juro baixo, também influencia na maneira como as pessoas investem”, afirma Lucas.  

Autonomia e empoderamento  

Desde 2018, a Oslo Investe tem como propósito ajudar pessoas a alcançar seus objetivos financeiros com autonomia. Além de cursos, conta com um aplicativo gratuito, Oslo 5 minutos, que une conteúdos teóricos e práticos para apoiar o aprendizado daqueles que desejam melhorar sua administração dos recursos.  (Acesse aqui para conhecer e baixar).

“A ideia é proporcionar um aprendizado diverso, para que os usuários possam encontrar o tipo de conteúdo que faça sentido para sua realidade. É destinado para aqueles que querem organizar seu orçamento, melhorar suas finanças, começar a investir e saber mais sobre o assunto”, diz Lucas.  

Imagem mostra telas do aplicativo sobre educação financeira, Oslo5min
Aplicativo gratuito Oslo 5 min oferece conteúdos, rotinas de estudos e consultoria personalizada com foco em educação financeira. Foto: Divulgação

Além disso, a edutech possui um braço B2B, com foco na produção de conteúdo personalizado para empresas que querem incentivar seus colaboradores a gerir melhor seu capital.

Descomplicar o mundo das finanças

Para quem está com as contas em dia, aplicar uma parcela dos recursos pode ser uma opção. No último ano, o número de investidores pessoa física na Bolsa subiu 92%, chegando a mais de 3,2 milhões. O interesse pelo tema é crescente, mas ainda há pouca propriedade sobre o assunto.  

Pensando nisso, a Órama Investimentos apostou na simplificação da linguagem sobre finanças e desenvolveu uma grande campanha de marketing, com podcasts e vídeos com objetivo de educar, informar e levar o mundo dos investimentos para a rotina das pessoas. 

Desde o início da adoção dos novos formatos, a retenção média do canal no YouTube avançou para 61%, mostrando o interesse do público sobre finanças, quando a complexidade da linguagem e dos conceitos é deixada de lado. 

Novos formatos e linguagem simples  

“O mercado elegeu basicamente dois formatos: os “calls”, onde alguém dá dicas direto por um vídeo e a Educação Financeira, onde o conhecimento tenta ser passado através de cursos”, explica Dedé Eyer, CMO da Órama, destacando que o primeiro gera uma dificuldade de conexão com quem não domina o linguajar do mercado, e o segundo exige uma dedicação maior do que muitas das pessoas que estão entrando no mercado são capazes de ter.  

No canais da Órama há episódios disponíveis em programas como: o Trending ou Trading, que discute o quanto os mesmos temas que viram trending topics do Twitter também geram impacto no mercado e o recém lançado “Como Eu Explicaria”, que traduz conceitos fundamentais do mercado financeiro para a linguagem de um público específico (no primeiro episódio “Como Eu Explicaria Day Trade Para o Meu Primo Gamer”).  

Parcerias com influenciadores 

Outro produto é o podcast chamado o “Tempo é dinheiro”, onde um ensinamento do mercado é dado no tempo de alguma atividade cotidiana. Há também outros conteúdos como “Aprenda Sobre Tesouro Direto Fazendo um Bolo”; o “Óra Marcada”, em que influenciadores misturam perguntas sobre investimentos com a área de atuação do convidado em um bate-papo descontraído; e, ainda no forno, o “Gregos e Troianos”, em que especialistas mostram as opções de investimento para quem tem opiniões antagônicas sobre determinados assuntos polêmicos.  

“Novos formatos, baseados em entretenimento e conectados com interesses desses novos públicos têm muito mais potencial de conseguir despertar a atenção e o engajamento. Fala-se muito em democratizar o acesso, mas para isso é importante democratizar também a informação”, comenta Dedé Eyer.  

A Órama também tem apostado em disseminação de conteúdo com influenciadores, como os cantores Thiaguinho e a ex-BBB Rafa Kalimann. Segundo o executivo, a missão não é trazer as pessoas para o mundo dos investimentos, mas sim levar os investimentos para a vida das pessoas.

“Nem todo mundo quer ser um trader. Tem o profissional liberal que entendeu a importância de uma reserva de emergência, o estudante que quer garantir a sua formação ou os pais que planejam deixar um legado sólido para o filho. A linguagem muito técnica tem sua limitação. A gente pode informar, educar e divertir ao mesmo tempo”, resume.