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8 de dezembro de 2021

Empresas de cosméticos aumentam investimentos no descarte de embalagens

Por Amanda Nonato

A indústria de cosméticos está, cada vez mais, acelerando os investimentos em processos e produtos sustentáveis, como o descarte de embalagens. Há anos O Boticário já realiza esse tipo de prática, reduzindo em até 97% os rejeitos de plástico e vidro, matérias-primas que representam um grande desafio no tratamento correto de resíduos.  

No enfrentamento dessa realidade, uma das metas principais do setor produtivo é oferecer 100% do seu portfólio em refil. Essa prática, por exemplo, já acontece há cerca de 20 anos no O Boticário. Franciele Saorin, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do grupo, afirma que a empresa, ao longo desse tempo, vem evoluindo em eficiência energética dentro da indústria, no desenvolvimento de produtos e no estímulo a novas tecnologias que contribuem para a redução do impacto ambiental, especialmente em resíduos. 

No primeiro semestre de 2021, o Grupo Boticário atingiu 97% de substratos reciclados. Nesse período, anunciou seu compromisso socioambiental até 2030: uma das metas mais relevantes é mapear e solucionar 150% de todo o resíduo sólido gerado pela sua cadeia de produção. Outro desafio relevante é a redução da desigualdade social de um milhão de brasileiros ao transformar a realidade da gestão de resíduos no país.  

“Temos um desafio de repensar a forma como desenvolvemos, entregamos e cuidamos do fim da vida dos produtos. Isso faz parte da transição para uma nova economia, mais circular e regenerativa. Reduzir o consumo de materiais, reutilizar e reinserir recursos na cadeia são ações que geram ganhos de eficiência e agregam valor à marca. Mais do que uma atividade a gerenciar, os resíduos representam uma oportunidade de alavancar para o fortalecimento de grupos sociais menos favorecidos, contribuindo com a redução da desigualdade, por exemplo”. 

destaca Franciele Saorin.

Esse conceito de economia circular visa minimizar ao máximo o descarte de recursos, através da reciclagem, reúso, reparo, distribuição e remanufatura dos bens. É dessa forma que o processo faz com que o grupo analise todas as etapas de fabricação do produto, até o final do ciclo de vida. 

De acordo com a gerente de Pesquisa e Desenvolvimento, O Boticário mantém uma gestão madura nas operações de manejo dos resíduos, com um índice de 96,9% de reciclagem no último ano. Outro ponto importante das iniciativas sustentáveis do grupo é a preocupação na escolha de insumos e composições na fabricação dos produtos, optando pelos que possam facilitar essa logística reversa.  

A empresa, desde 2006, engaja junto com o Boti Recicla o maior programa de reciclagem do Brasil, com mais de quatro mil pontos de coleta por todo o país. Esse projeto, com o apoio de cooperativas, transforma as embalagens vazias em matéria-prima para ser reutilizada em outros setores do grupo e em iniciativas pelo país, como beckers decorativos de lojas, luminárias, entre outros.  

Como forma de incentivo aos consumidores para participar do processo de logística reversa, O Boticário oferece descontos na compra de produtos mediante o descarte de três ou mais embalagens. “Incentivamos que os clientes levem as embalagens vazias de cosméticos, independentemente da empresa ou marca, em um dos nossos pontos de coleta localizados nas lojas físicas. Nos últimos anos, ao todo, foram reaproveitadas 2,2 toneladas de plástico reciclado pelo Boti Recicla”, pontua Franciele. 

Ecodesign e materiais limpos 

A partir do ecodesign, a empresa dá prioridade à redução de peso da embalagem, sendo elas refiláveis e reaproveitáveis, além da utilização de materiais reciclados e renováveis. Essa é uma tática para reduzir os resíduos e o impacto ambiental da produção, em todas as suas etapas.  

Entre as atividades do grupo O Boticário, está uso de apenas um material para a produção dos componentes da embalagem, permitindo que na reciclagem mecânica seja triturado apenas uma única vez. O refil também faz parte dessas iniciativas, reduzindo mais de 90% de plástico de um dos produtos da marca. 

“Com o pó compacto Make B a redução foi de mais de 70%, o que corresponde a 25 toneladas de plástico por ano! Isso equivale a mais de 60 mil litros de petróleo evitados por ano”. 

Dos materiais escolhidos estão papel reciclado, para os cartuchos; plástico também reciclado para frascos, bisnagas, tampas e pumps; Surlyn (resina plástica) reciclado que, a partir das tampas de cletas e logística reversa, resultou em cerca de três toneladas de material e redução de 10% de emissão de CO2, em comparação com o material virgem. A empresa também utiliza vidro reciclado e plástico vegetal proveniente da cana-de-açúcar. “Todas as decisões são embasadas em estudos de avaliação de ciclo de vida, para garantirmos que as escolhas adotadas sejam sempre as mais sustentáveis”. 

De acordo com Franciele, a empresa acredita que o pioneirismo em iniciativas socioambientais também serve de exemplo para as marcas embarcarem nos cuidados do futuro e meio ambiente. 

“Ao inaugurarmos uma loja feita com plástico reciclado, mostramos que é possível, sim, fazer diferente. Além disso, ao longo dos anos, evoluímos em eficiência energética dentro da indústria, no desenvolvimento de produtos e no estímulo a novas tecnologias que contribuam para a redução do impacto ambiental, especialmente em resíduos. Somos a primeira empresa do mundo a reciclar o Surlyn, uma resina que usamos para produzir tampa de embalagens de perfumaria. Graças à tecnologia desenvolvida pelo Grupo Boticário e parceiros, hoje esse material pode ser reciclado”. 

A gerente também destaca que todas as metas sustentáveis envolvem todos que fazem parte do processo, como os parceiros. Ela enfatiza a importância da marca em engajar e apoiar na jornada de transformação, através da colaboração coletiva, passando por todas as frentes, principalmente por quem faz parte da empresa. 

Cavideu e L’Oreal em mudanças sustentáveis

A influenciadora e empresária Bianca Andrade desenvolveu, em parceria com a Cadiveu Essentials, sua linha de produtos para cabelo. A última atualização dos produtos trouxe a responsabilidade socioambiental como destaque. A fórmula é vegana e as embalagens são 100% recicláveis e recicladas, com zero plástico. 

A proposta resulta em produtos que rendem mais, sobretudo por ter xampu e máscara em barras. Além disso, a fórmula contém entre 90% e 94% de ingredientes naturais. 

Até 2030, a intenção da L’Oréal, por meio da Divisão de Cosmética Ativa, é que 100% dos produtos que levam plástico da linha La Roche-Posay sejam originados de material reciclado. A empresa, que mantém políticas globais de embalagens responsáveis desde 2007, no último ano obteve 90% dos produtos novos no Brasil com perfil ambiental melhorado. 

Segundo Roberta Sant’Anna, diretora da Divisão de Cosmética Ativa, em 2020, a L’Oréal eliminou 105 toneladas de plásticos da produção, adotando as embalagens 100% PET PCR, com resina pós-consumo, na marca Elseve. Já na linha Garnier Skin, a empresa adicionou 30% de papel reciclado nas caixinhas reduzindo 2,4 de toneladas de papel virgem. 

O refil para os produtos das linhas Effaclar Normaderm também trouxe resultados positivos. Ao todo, foram 86% de redução de plástico, o que, somado às revisões para embalagens de outras linhas, como a diminuição do volume de bulas de instrução, eliminou o consumo de 165 toneladas de papel.