Ir para o Topo

Procurando algo?

3 de novembro de 2021

Empresas de óleo e gás estimulam equidade de gênero no offshore

Altera&Ocyan, Aker Solutions, Equinor, Ocyan, SBM Offshore, Schlumberger, Subsea7, TotalEnergies e IBP promovem campanha para atrair novos talentos e tornar o trabalho nas embarcações mais acolhedor para as mulheres 

Por Karen Garcia

Trabalhar em alto mar pode ser estimulante e desafiador para mulheres. Mas, se por um lado, a remuneração e flexibilidade de agenda são vistas como algo positivo por colaboradoras do setor, por outro a distância da família e o ambiente machista estão entre os reveses da profissão. Problemas estruturais afetam cerca de sete em cada dez mulheres que trabalham embarcadas, segundo pesquisa encomendada pela Ocyan ao Instituto Ipsos. O levantamento incentivou o lançamento da campanha “O mar também é delas” em parceria com as empresas Altera&Ocyan, Aker Solutions, Equinor, Ocyan, SBM Offshore, Schlumberger, Subsea7 e TotalEnergies, além do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).  

A iniciativa visa ampliar a igualdade de oportunidades para profissionais mulheres e o bem-estar para o público feminino que trabalha embarcado em plataformas e sondas da indústria do petróleo no país. De acordo com o diagnóstico, que ouviu 60 mulheres que trabalham no off-shore, políticas de transparência e comitês para discutir diversidade são as ações de cunho prático percebidas como as mais importantes.  

Entre as respondentes, mais de 50% trabalham há pelo menos seis anos no setor e ocupam cargos como operação de rádio, técnica de segurança, engenharia operacional e outros.  O movimento disponibilizou uma plataforma única com objetivo de promover conteúdos, representatividade e divulgar oportunidades. O projeto também pretende estimular outras mulheres a ingressar nesse segmento, que é estratégico para a economia brasileira.  

Na visão do vice-presidente de Pessoas e Gestão da Ocyan, Nir Lander, o resultado do estudo foi tão rico que trouxe luz à importância da percepção feminina de quem atua na área. Com isso, a criação do movimento coletivo envolvendo diversos atores do setor deve contribuir com a garantia da segurança psicológica das colaboradoras e da equidade de oportunidades.  

“Percebemos que seria necessário seguir em um movimento conjunto e somar forças se quiséssemos ir mais longe, por isso esta campanha é aberta permanentemente a novas empresas interessadas em participar desta causa”, avalia o executivo.  

Entrevista exclusiva: ‘Não adianta só equiparar, é necessário incluir’, afirma Simone Barbieri, da Engie Brasil, sobre diversidade na indústria

Para Ana Serrano, vice-presidente de Tecnologia de Petróleo & Exploração da Equinor, estimular a diversidade no setor de óleo e gás é essencial.  

“Na Equinor, acreditamos que a diversidade estimula a inovação e a criatividade, dois elementos que consideramos vitais para moldar o futuro da energia. Por isso, temos trabalhado para atrair e motivar mais mulheres para cargos de liderança na companhia e para aumentar o número de funcionárias offshore. Tenho certeza de que “O mar também é delas” terá um papel muito importante nesta jornada rumo à equidade de gênero”, comenta a executiva. 

Diálogos em prol da diversidade e inclusão  

O  Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) conta hoje com uma Comissão de Diversidade com reuniões periódicas para discussão e promoção de iniciativas sobre o tema, como a campanha “O mar também é delas”. 

Cristina Pinho, diretora Executiva Corporativa do IBP, é uma das precursoras no setor. Ela conta que foi uma das poucas mulheres em sua turma durante a faculdade de engenharia.  

“Fui uma das poucas mulheres da minha época a entrar nessa carreira. Na faculdade de engenharia, éramos seis mulheres numa turma de 90 homens, e eu a única negra. Na minha época, éramos muito ligadas à nossa carreira. Estávamos mais interessadas em nós mesmas em vez de pensar em contribuir para um ambiente que permitisse o crescimento de muitas. Hoje tenho a oportunidade de resgatar a falha ao longo do tempo pela falta de sororidade”. 

Para a executiva, a campanha, lançada em 27 de outubro, em conjunto com as empresas do setor, fomenta o debate sobre a igualdade de oportunidades no ambiente offshore.  

“A passagem das mulheres pelo operacional é importante para a ascensão de carreira dentro das empresas. Esperamos que o portal seja um ambiente para compartilhar histórias e inspirar ações que levem a mudanças no setor de O&G”, comenta Cristina Pinho.  

Participação de mulheres no setor offshore 

Na Altera&Ocyan, fornecedora que também abraça a causa, o compromisso com a equidade de gênero está em todo o processo de recursos humanos e já faz parte da cultura da empresa, afirma Carolina Almeida, gerente de Pessoas da joint venture.  

“Hoje contamos com um corpo de 18% de mulheres, de um efetivo total de pouco mais de 300 integrantes. Temos um caminho pela frente e este movimento setorial só reforça nossa responsabilidade em relação a esta causa”, endossa Carolina Almeida. 

Anna Paula Lougon, diretora de Tecnologia Brasil da Schlumberger ressalta a importância da representatividade feminina. 

“O avanço da representatividade das mulheres no setor de óleo gás é perceptível, mas ainda precisamos aumentar a inserção delas nesse mercado. Representatividade é fundamental para dar conta de todos os desafios a serem enfrentados pela indústria”, destaca a executiva.