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30 de setembro de 2021

Empresas investem em pesquisa e iniciativas de preservação dos oceanos

Ciência, oceanos e desenvolvimento sustentável. É sob essa premissa que a Organização das Nações Unidas (ONU) norteará os esforços de sensibilização e campanhas entre os países membros na próxima década dentro das atividades da Agenda 2030. Nessa ótica, empresas como Braskem, Alpargatas e Fundação Grupo Boticário estão engajadas em ações com foco no combate à poluição, incentivo à pesquisa e divulgação científica.  

Por Karen Garcia

A cada ano, 242 milhões de toneladas de resíduos plásticos são gerados no mundo, com cerca de 8 milhões chegando aos oceanos, o que representa aproximadamente 80% de todos os detritos marinhos no mundo. As estimativas indicam que os resíduos gerados em terra contribuem com até 80% do plástico no ambiente marinho, afetando o ecossistema. O Brasil é o 16º país do mundo que mais contribui para poluição de plástico no oceano e isso pode dobrar até 2030.   

O oceano que queremos   

A oceanógrafa e ativista Mariana Andrade, explica que a “Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável” tem como objetivo trazer o tema para o centro do debate, e a expectativa é que os investimentos em pesquisas, programas e projetos sejam focados em iniciativas que visam preservar a vida e a saúde dos ecossistemas marinhos.   

“É a primeira vez que aparecem as palavras oceano e ciência nessas “décadas” temáticas da ONU. Esse nome é importante porque traz uma conexão entre palavras chaves que representam grandes compromissos e desafios como a desvalorização da ciência”, afirma.   

A Braskem é uma das empresas que reconhece a urgência do problema, entende seu papel na cadeia produtiva e está engajada com a agenda. Recentemente, a companhia divulgou seus novos compromissos, alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, com foco na contribuição para uma economia circular carbono neutro. Entre as metas da empresa para 2030 estão alcançar 1,5 milhão de toneladas por ano de plásticos pós-consumo recuperados; e 1 milhão de toneladas por ano de produtos com conteúdo reciclado vendidos.  

Blue Keepers   

Além disso, a petroquímica é uma das principais patrocinadoras do programa Blue Keepers, da Rede Brasil do Pacto Global, que tem como objetivo combater a poluição do plástico em rios e oceanos, de forma sistêmica e duradoura. A iniciativa conta com seis eixos de atuação que vão desde soluções emergenciais, trabalho de diagnóstico para identificar principais fontes de plástico mal gerenciado, soluções de médio e longo prazos, projetos-pilotos, ganho em escala e disseminação de conhecimento.  

Em evento de lançamento que contou com a participação de diversos executivos de grandes empresas com atuação no Brasil, Roberto Simões, CEO da Braskem, reflete sobre o papel do setor privado para um oceano saudável e produtivo: “Sabemos que a cadeia produtiva é parte da solução do problema e estamos engajados nisso. Toda a cadeia de valor deve ser envolvida e entendemos o quanto a economia circular é importante”, afirmou. O executivo também destaca que a economia circular já é parte do negócio da companhia e que há metas ambiciosas para 2030.  

Leia também: Programa com foco em desenvolvimento sustentável beneficia milhares de pessoas na Amazônia

Cooperação multissetorial  

O programa tem uma carteira de projetos com ações de curto, médio e longo prazos. Segundo o diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global, Carlo Pereira, todas as atividades do Blue Keepers estão sendo construídas de forma colaborativa e dinâmica, como um instrumento vivo de contínua avaliação do cenário nacional, para planejamento e captação de recursos e parceiros.   

Alpargatas e Cetesb também são marcas ativamente envolvidas com o tema e patrocinadoras da iniciativa. Além disso, o programa conta com apoio da Enauta, do Instituto Meu Oceano, USP, UNEP, Unibes Cultural, Firjan, Fundação Avina, Fundação Grupo Boticário, Plastivida e Schurmann Corporate.  

Carlos Pereira destaca que o posicionamento das empresas é importante para o monitoramento do impacto das ações: “O comprometimento público é fundamental. É importante assinar o compromisso e que ele possa ser monitorado. Já entendemos o quanto as metas são parte importante das iniciativas e contamos com as empresas para isso. Todos os setores são protagonistas da solução, e nossa iniciativa visa traçar metas claras e ações que serão construídas em conjunto”, afirmou o diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global.7  

Mulheres pelos oceanos   

As mulheres estão entre os grupos mais afetados pelas mudanças climáticas, assim como indígenas, ribeirinhos e pessoas de baixa renda. Esses públicos, muitas vezes, estão associados à economia do cuidado. A fim de estimular o diálogo sobre esse recorte de gênero dentro da temática do desenvolvimento sustentável, nasceu a Liga das Mulheres pelo Oceano, que hoje reúne mais de 2.300 mulheres para se conectar, se informar e se engajar no assunto.   

“A Liga surgiu para estimular a conversa entre mulheres sobre o tema e valorizar o trabalho de mulheres ligado aos oceanos. Acreditamos que a emancipação ecofeminista também está relacionada pelo olhar da sustentabilidade. Não dá para pensar em desenvolvimento sustentável sem olhar para a qualidade de vida das mulheres”, reflete Mariana Andrade, membro da Secretaria Executiva do movimento.   

Segundo Paulina Chamorro, cofundadora da Liga, o protagonismo feminino pode reparar os danos à natureza: “Mulheres criam pontes entre lados que podem caminhar juntos, como economia, ecologia, ética, respeito, igualdade e diversidade. Estimulam a criação de uma nova consciência por uma sociedade mais justa e um planeta vivo. Quando abrimos espaço e destacamos o protagonismo que mulheres e oceano têm em diversas frentes como conservação, pesquisa, pesca e comunidades tradicionais, também possibilitamos que outras jovens e mulheres se inspirem e vejam que é possível ter voz. O oceano une povos, nos dá água, alimento e oxigênio. Quando entra em desequilíbrio, também são as mulheres as mais afetadas, por estarem em situação mais vulnerável”, diz ela.