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29 de janeiro de 2021

Empresas se mobilizam para mitigar o colapso da saúde em Manaus

A crise no sistema de saúde no estado do Amazonas foi uma tragédia anunciada. O ápice do colapso foi a morte de pacientes por sufocamento devido à falta de oxigênio nos hospitais frente a um novo surto de Covid-19. Após minimizar a gravidade do problema, os governos federal e estadual correm para transferir pacientes e abastecer os hospitais. Por outro lado, as empresas se mobilizam para manter a fabricação de insumos e realizar doações para o sistema de saúde no intuito de combater os efeitos do novo coronavírus.  

Frente à emergência da situação, empresas de diversos segmentos estão se engajando na causa e criando maneiras de apoiar a crise sanitária na capital amazonense. Um grupo de 15 grandes empresas se juntou para doar R$ 1,6 milhão para o programa Unidos Contra a Covid-19, da Fiocruz, para levar usina de produção de oxigênio com capacidade de atender até 92 leitos simultaneamente.  

Força tarefa é realizada para reaver o abastecimento de oxigênio em Manaus. Foto: Bruno Kelly/REUTERS

Ambev, BNP Paribas, BRF, Coca-Cola Brasil, Grupo +Unidos, Magalu, Mercado Livre, Nestlé Brasil, Petrobras, Sesc, SulAmérica, WEG, Whirlpool, XP Inc. e Yamaha se uniram em um movimento intitulado “Juntos pelo Amazonas”. A iniciativa conta com o apoio institucional da Eletros – Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos –, que auxiliou na criação do grupo. 

O governo federal já tinha conhecimento do desabastecimento dos hospitais desde novembro do ano passado, explica Walter Cintra, médico sanitarista e professor de Administração Hospitalar e de Serviços e Sistemas de Saúde da FGV em entrevista para a Revista Nós.  

Ação coordenada é essencial

“O que aconteceu em Manaus era algo previsto. O próprio ministro Pazuello foi avisado que isso ia acontecer em novembro. Pessoas morreram por conta da negligência e falta de ação das autoridades sanitárias e dos governantes, como prefeitos, governadores, presidente. Perdeu-se a oportunidade de tomar medidas em tempo hábil para evitar a catástrofe que aconteceu. É muito grave”, afirma o especialista que faz parte centro de estudos em planejamento e gestão na FGVsaúde.  

Walter Cintra destaca sobre a importância das ações de responsabilidade social contarem com uma coordenação e integrarem a estratégia de combate à pandemia do governo federal.  

“Sempre é muito bem-vinda a participação de todos os segmentos da sociedade durante a pandemia. O contexto que estamos vivendo é quase um estado de guerra. Precisa ter uma coordenação e não pode ser apenas voluntarista. Que deve ser capitaneada pelas autoridades sanitárias – que no caso seria o Ministério da Saúde”, sinaliza.  

O número de casos confirmados de Covid-19 já passa de 250 mil no Amazonas. Nas primeiras semanas de janeiro, o estado registrou recorde de internações e mortes, segundo reportagem do El País.  

O compromisso das empresas no Juntos pelo Amazonas será com a “doação dos recursos para as máquinas e acessórios da nova usina, que possui uma das mais avançadas tecnologias aplicadas a este tipo de equipamento e tem capacidade para atender uma unidade hospitalar em 12 leitos de terapia intensiva e 80 leitos de internação e pronto atendimento simultaneamente”. 

Engajamento do setor financeiro  

O Mercado Pago, fintech do Mercado Livre, fez uma doação de R$ 150 mil via Fundo UMA, uma ação coordenada pelo Grupo Mais Unidos e a Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA).  

O objetivo é que o recurso seja direcionado para compra de insumos destinados ao sistema de saúde do Amazonas. A companhia também está mobilizando doações por meio do Botão Doar, no app da fintech. Saiba como doar aqui.

Operação de guerra para manter o abastecimento 

A White Martins – principal empresa de gases no país – está adaptando suas operações para ampliar o fornecimento de oxigênio em Manaus. Segundo a companhia, a operação de guerra tem permitido entregar duas vezes e meia a sua capacidade de produção local.  

A demanda de oxigênio cresceu cinco vezes nos primeiros 15 dias do ano, tendo ultrapassado o volume de 70 mil metros cúbicos por dia. Anteriormente à pandemia, a planta de capital amazonense operava com 50% de sua capacidade, produzindo o suficiente para atender todos os seus clientes do segmento medicinal, que somavam um consumo na ordem de 10 a 15 mil m³ por dia, informou a White Martins. 

White Martins enviou remessas do Pará para o Amazonas. Foto: Divulgação

A empresa conseguiu ampliar para 80 mil m³ diários a oferta de oxigênio hospitalar. Segundo a White Martins, essa operação é possível através de um esforço coletivo que envolve recursos próprios e de terceiros, apoio das Forças Armadas e cooperação com as autoridades públicas.  

“A empresa tem implementado uma série de medidas para abastecer a região. Foram deslocados 73 equipamentos para transporte de oxigênio líquido para a operação local, que antes da pandemia contava com 7, suficientes para atender regularmente o mercado medicinal. Além disso, mais de 130 funcionários, entre engenheiros, técnicos, supervisores de operação e motoristas, foram realocados para esta operação. Entretanto, é importante reforçar que este altíssimo volume de fornecimento só poderá ser mantido com a continuidade de todos os esforços coletivos vigentes, que envolvem estrutura logística própria e apoio de terceiros como das Forças Armadas e de outras autoridades públicas, importação do produto, e suporte para obter mais agilidade na liberação de cargas em aduanas e postos de controle”, comunicou a companhia.