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4 de maio de 2021

Futuros possíveis: desenvolvimento profissional para jovens de baixa renda

Os desafios econômicos do país diante dos impactos da pandemia trazem um futuro incerto para a juventude. Em um contexto de altos índices de desemprego e desigualdade, iniciativas voltadas para o desenvolvimento de jovens em situação de vulnerabilidade social contam com o apoio de marcas como a Panco, Adecco, Gerando Falcões e Nubank para transformar essa realidade. 

A adolescente Maria Eduarda Degan, de 16 anos, enxergou novos futuros possíveis. Moradora da Zona Leste de São Paulo, ela se inscreveu em uma atividade de orientação profissional da ONG Gerando Falcões, em parceria com a Adecco, empresa global de recrutamento e seleção. O objetivo do programa é beneficiar adolescentes de periferia a ingressarem no mercado de trabalho. 

Desde o início do ano, as mentorias acontecem semanalmente em ambiente virtual. São trabalhadas as aptidões, habilidades técnicas e emocionais, objetivos, plano de carreira e dificuldades dos jovens, além de simulações de processos seletivos.

Manoel foi um dos jovens mentorados pelo programa da Adecco com a Gerando Falcões em 2020

“Achava que não era capaz e que não teria oportunidades. Acreditava que nunca poderia sair daqui ou que poderia crescer e fazer uma faculdade. Minha visão está se ampliando, me percebo mais madura, acreditando que posso crescer, evoluir e ajudar outras pessoas”, conta Maria Eduarda, que vive com a mãe, o padrasto e três irmãos mais novos em uma casa alugada. Com a pandemia, auxilia as crianças nas aulas online, pois a mãe trabalha fora. Mais do que autoconfiança, ela afirma que a mentoria lhe proporcionou uma perspectiva de futuro. “Minha mentora me encoraja e apoia muito. Estou focada em terminar os meus estudos e sonho em fazer uma faculdade na área médica”, completa. 

Desafio estrutural

No quarto trimestre de 2020, a taxa de desocupação de pessoas com idades entre 18 e 24 anos atingiu 29,8%. Ou seja, há cerca de 4,1 milhões de jovens à procura de um emprego no país. Esse desafio pode ser ainda maior para quem cresceu com menos acesso à educação e enfrenta barreiras como as do racismo estrutural. 

O gerente de Marketing e Comunicação da Adecco Brasil, Ariel Acosta, é um dos mentores no projeto. O executivo reconhece que a pandemia afetou a oferta de empregos e contratação de jovens e aponta outros desafios que estão atrelados a atributos sociais: “A exigência por experiências prévias, privilégio a certas universidades e o próprio racismo estrutural que torna a situação ainda mais delicada em se tratando do recorte de jovens negros e em situação de vulnerabilidade”, enumera Acosta. 

Iniciativa pioneira

Em linha com o pensamento do ambientalista Ailton Krenak, que afirma que “uma pessoa no mundo é essa potência toda, essa possibilidade de interagir com tudo”, Ariel destaca que o programa foi desenhado “de dentro pra fora”. “Capacitamos primeiro nossos colaboradores que são os mentores, com várias sessões de treinamentos, manuais explicativos e deixando claro na consciência de todos que estamos atuando por um bem maior, no intuito de causar um impacto verdadeiro a longo prazo nas novas gerações. Queremos que os jovens consigam explorar o seu melhor potencial. Todos eles têm esse potencial dentro e apenas precisam de uma iniciativa, de um empurrão para que essas características sejam afloradas”, afirma. 

Além do apoio da Adecco, o sucesso da iniciativa conta com a experiência da ONG Gerando Falcões, que tem mais de 10 anos de atuação em periferias paulistas. Fundada em 2011 por Edu Lyra, Lê Maestro, Mayra Lyra e Amanda Boliarini, a organização tem como objetivo promover oportunidades e reduzir as desigualdades. 

Moldando um novo amanhã

Foi através da arte que o projeto Ser Âmica criou a conexão com crianças e adolescentes para a expressão do sujeito. A iniciativa, idealizada pela artista plástica Elainy Mota, oferece oficinas profissionalizantes de cerâmica para adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Através de leis de incentivo, o projeto é apoiado pela Panco e já capacitou mais de mil jovens desde 2010. 

Antes da pandemia, as peças eram comercializadas em feiras. Com a restrição de mobilidade devido a crise sanitária, as vendas acontecem pelas redes sociais, explica Elainy.

“Os pedidos chegam através do Instagram (rede social mais ativa do projeto), mas também temos o Facebook. No Instagram, temos o link para o whatsapp. Formalizamos o pedido e damos em média um prazo de 60 dias para a entrega. Em São Paulo e região trabalhamos com o serviço de motoboy e para fora, usamos o PAC dos correios”, esclarece.

A renda é direcionada para jovens como Valdeir da Silva. Ele começou participando das oficinas sem muita pretensão e conta que não imaginava que o barro poderia transformar sua vida. “Percebi o meu talento e passei a me dedicar mais. Comecei a fazer minhas peças, vendê-las, me tornei monitor. Hoje eu consigo ajudar em casa, sou motivo de orgulho para os meus pais. Eu poderia estar na rua, nas drogas. Fico feliz com essa oportunidade”. 

Durante o período de isolamento social, apenas três jovens lidam com as produções e atendimento de encomendas, para respeitar as normas e recomendações da Organização Mundial da Saúde e não colocar vidas em risco, conta a coordenadora.

Impacto social 

Após a CEO da Nubank, Cristiane Junqueira, dizer uma frase no programa Roda Viva que foi considerada racista, a fintech acelerou sua política de diversidade. Desde então, o número de iniciativas o banco digital com foco na inclusão de pessoas negras no mercado de trabalho é crescente. Recentemente a instituição lançou um programa de capacitação para jovens de baixa renda. 

A formação em atendimento e tecnologia terá duração de sete meses e impactará 400 jovens de comunidades periféricas com o objetivo de ampliar as oportunidades profissionais. 

Em comunicado, a companhia informa que os alunos serão indicados por lideranças das comunidades locais da rede do Alicerce Educação. E, para potencializar o retorno e o impacto do projeto para a comunidade afro-brasileira, todos os instrutores do projeto e os gestores diretamente envolvidos são pessoas autodeclaradas negras, selecionadas em parceria com a ONG EducAfro.