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Prêmio Firjan Ambiental visa estimular, premiar e reconhecer iniciativas do estado do Rio de Janeiro que agem de maneira proativa com foco na sustentabilidade

22 de janeiro de 2021

Projetos recuperam manguezais e reduzem o desperdício de água no RJ

Com patrocínio da Petrobras e Grupo Águas do Brasil, iniciativas premiadas pela Firjan melhoram a qualidade ecossistêmica da Baía de Guanabara e reduzem a perda de quinze milhões de metros cúbicos de água anualmente.  

Por Elisa Torres e Valéria Rehder

Às margens da Baía de Guanabara, num cenário verde pouco explorado, biguatingas e marrecas-caneleira, entre outras espécies ameaçadas de extinção, dividem espaço com colhereiros e biguás em revoada. E também com peixes, moluscos e crustáceos que ali fazem abrigo, montam berçários e ajudam a compor, neste refúgio, uma fauna riquíssima. Um dos últimos trechos do Rio de Janeiro a apresentar características que remontam à colonização europeia, o desconhecido recôncavo da Baía de Guanabara, na área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim, é palco das ações do Projeto Uçá, da ONG Guardiões do Mar, que conta com o patrocínio da Petrobras, através do Petrobras Socioambiental.

Atividade de monitoramento de ecossistemas do Projeto Uçá

A iniciativa em sociobiodiversidade é uma das maiores em execução na região. Graças à sua atuação, que prioriza comunidades de pescadores artesanais e catadores de caranguejo, o Projeto Uçá foi o vencedor do Prêmio Firjan Ambiental 2020, na categoria Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos. 

Criado em 2012, o Projeto Uçá tem como objetivo promover a melhoria da qualidade ambiental em oito municípios na região da bacia contribuinte da Baía de Guanabara. Em suas ações de manutenção e monitoramento de manguezais, de educação ambiental e produção de conhecimento científico de forma sustentável, prioriza povos tradicionais e unidades de conservação parceiras.

Desde a sua criação, foi responsável pela preservação de sete hectares de manguezais e o plantio de 64.500 mudas; incentivou o turismo de base comunitária, através da realização de cursos e capacitações; retirou cerca de 11.800 quilos de lixo de 12 hectares de manguezais; e atendeu, com bolsas auxílio durante o defeso, 79 catadores de caranguejo e pescadores artesanais. 

Com foco em outro grande desafio ambiental, que é o desperdício de recursos hídricos, o Projeto Água de Valor, do Grupo Águas do Brasil, monitora o caminho da distribuição, detecta o desperdício e repara o vazamento na rede.  

Quinze milhões de metros cúbicos de água ao ano é o tamanho da economia no Rio de Janeiro gerada pela iniciativa que também foi contemplada pelo Prêmio Firjan Ambiental 2020. O esforço vem ao encontro da necessidade do país, que possui cerca de 12% da água doce do planeta, mas perde quase metade do recurso depois de limpo e tratado.

Além da preocupação com a preservação da água no mundo, Leonardo Righetto, diretor de Operações do Grupo Águas do Brasil, explica que a redução de perdas, foco do projeto Água de Valor, promove outros benefícios: ambiental, por solicitar menos do manancial; econômico, porque reduz os custos operacionais; e de postergação de investimentos quando há crescimento populacional, uma vez que, com menor gasto de água, é possível abastecer mais gente sem a necessidade de mudanças. 

No Centro de Controle Operacional (CCO) é feita toda supervisão e comando da distribuição da água do sistema, o que permite identificar imediatamente variações bruscas de pressão ou vazão, que podem significar ocorrência de vazamentos. Foto: Grupo Águas do Brasil

Righetto chama a atenção para o que representa a redução de 20 milhões de metros cúbicos, valor total economizado, considerando que a iniciativa foi implantada em nove cidades fluminenses e também em três de São Paulo e uma de Minas Gerais. Segundo ele, se o preço do metro cúbico da água for de R$ 1,70, como o estipulado no processo de licitação dos lotes da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), esse montante significa uma economia de R$ 34 milhões ao ano, sendo R$ 25 milhões só no Rio de Janeiro. 

Ecossistemas mais produtivos do planeta

Segundo o ambientalista Pedro Paulo Belga, presidente da ONG Guardiões do Mar, além de proteger os remanescentes de manguezais do recôncavo, o Projeto Uçá visa assegurar a permanência e a sobrevivência de populações que mantêm relação estreita com o ambiente, vivendo dos seus recursos naturais e mantendo características tradicionais no convívio com a natureza.

Segundo o ambientalista Pedro Paulo Belga, presidente da ONG Guardiões do Mar, além de proteger os remanescentes de manguezais do recôncavo, o Projeto Uçá visa assegurar a permanência e a sobrevivência de populações que mantêm relação estreita com o ambiente, vivendo dos seus recursos naturais e mantendo características tradicionais no convívio com a natureza. 

Erroneamente associados a locais insalubres e malcheirosos, os manguezais estão entre os ecossistemas mais produtivos do planeta. Contribuem para a biodiversidade de relevância mundial, asseguram a integridade ambiental da faixa costeira e são responsáveis pelo fornecimento de recursos que sustentam diversas atividades econômicas.

“Se não fossem os 7 mil hectares de manguezais do recôncavo, a costa do Rio seria mais pobre no pescado. Temos muito orgulho dessa parceria, na qual perpetuamos espécies e damos condições de vida tanto ao próprio manguezal quanto a quem vive dele”, comemora Alaildo Malafaia, presidente da Cooperativa Manguezal Fluminense, composta por pescadores e catadores de caranguejo, parceira do projeto desde 2013. 

Incentivo às boas práticas no estado

Luis Fernando Jupy, analista de Meio Ambiente da Firjan, diz que o objetivo do Prêmio é incentivar boas práticas em sustentabilidade no estado do Rio. “É um estímulo para que haja avanço, evolução. É fundamental estimular, premiar e reconhecer as empresas que agem de maneira proativa”, ressalta. 

A edição de 2021 do Prêmio Firjan Ambiental está com inscrições abertas até o dia 26 de abril. Podem se inscrever para a 9ª edição empresas, associações, sindicatos, instituições de pesquisa, terceiro setor, universidades e demais organizações com projetos concluídos ou em fase de implantação no estado do Rio, com resultados mensuráveis em 2019 e/ou 2020. O regulamento completo do Prêmio está disponível neste link: https://bit.ly/3qEZ0lJ